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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A casa


Esta casa que nunca adentraste,
Cujas paredes nunca tocaste,
Guarda surpresas incontáveis
E prazeres inomináveis.

Em seus espaços contidos
Teus desejos encontrariam
Realizações e sorririam
Para sempre agradecidos.

Além da bela fachada,
Dela conheces nada.
Para além de sua entrada,
Quimeras, sim, ela guarda.

Ainda que revestida
Assim, de pura pedra polida,
Deve ser mais que contemplada.
Foi feita pra ser percorrida.

Shirley Carreira

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Viagem



As estradas do teu corpo
Tantas vezes percorridas
São as tramas do meu verso
Dessa emoção contida
Que grito ao universo
Na discreta melodia
Feita de sonho e palavras
Que se chama poesia.

Shirley Carreira

domingo, 12 de julho de 2009

Corpo de mulher


No corpo de cada mulher
Há uma morte silenciosa;
Em cada curva sinuosa,
Em cada concavidade oculta.
Em cada dobrar de tronco
Em cada gesto leve
Ou aceno de mão;
No corpo que arde
Sobre o branco lençol,
Que estanca na carne
O fluxo voraz da paixão.
No corpo de cada mulher
Há uma deusa escondida,
Que inebria, entontece,
Encanta e seduz.
No corpo de cada mulher reluz
O seu comando do tempo,
A sua milenar magia.
No corpo de uma mulher
Um homem renasce e morre
Todos os dias.

Shirley Carreira

Se...

Não fossem as sombras constantes em teus olhos;
Não fosse essa ironia sempre presente
No teu sorriso; a alegria crescente;
A indiferença impiedosa e permanente,
Quem sabe se eu ainda te amaria?

Não fosse o teu desejo transbordante;
Não fosse o teu querer pulsante
Que busca e afasta, intermitente,
Aquilo que deseja; incoerente,
Quem sabe se eu ainda quereria

De tal modo voraz e persistente
Essa tua boca sôfrega, exigente,
Esse teu corpo ansioso e indolente,
Esse teu eu, tão meu e tão ausente.
Quem sabe se eu ainda existiria?

Shirley Carreira