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domingo, 12 de julho de 2009

Se...

Não fossem as sombras constantes em teus olhos;
Não fosse essa ironia sempre presente
No teu sorriso; a alegria crescente;
A indiferença impiedosa e permanente,
Quem sabe se eu ainda te amaria?

Não fosse o teu desejo transbordante;
Não fosse o teu querer pulsante
Que busca e afasta, intermitente,
Aquilo que deseja; incoerente,
Quem sabe se eu ainda quereria

De tal modo voraz e persistente
Essa tua boca sôfrega, exigente,
Esse teu corpo ansioso e indolente,
Esse teu eu, tão meu e tão ausente.
Quem sabe se eu ainda existiria?

Shirley Carreira