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sábado, 27 de abril de 2013

Diálogo


Nossos olhares
Dialogam esquecidos
De um mundo tecido
Com palavras.
O que meus olhos te pedem
Os teus adivinham.

Não te falo de amor
Porque teu corpo
Tateia, nos meandros
Do silêncio,
Cada toque
Mudamente ensaiado.

E antes que te revele
Meu mais recôndito desejo
Olha-me uma vez mais
E cala-me com um beijo.

Shirley Carreira




sexta-feira, 29 de março de 2013

Noitedia



A noite gesta meu sonho
em ninho enluarado,
alimenta desejos,
nutre vontades
que esperam o dia
em pura ansiedade.
Que o sol traga
o fruto ensandecido
do ousado sonho
em penumbra
tecido.

Shirley Carreira


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Querer


Não te quero caminhando nas sombras
Nem calando os teus mistérios.
Quero-te cantando a melodia
De teus mais íntimos pensamentos.
Quero ouvir os teus silêncios
Narrando-me na calada da noite
As histórias que teces e guardas,
Como segredo, do mundo.
Quero-te ondulando o olhar
Nos meandros que tanto conheces
Nas estradas ocultas e sinuosas
Deste corpo que habito.
Quero-te como brisa suave
Penetrando-me nos poros
Transmigrando desejos
Do meu corpo no teu.
Quero-te, perto ou distante,
Naquele ousado instante
Em que, em um segundo apenas,
Puder sentir-te meu.
Shirley Carreira

sábado, 7 de novembro de 2009

Deixa-me



Deixa-me sussurrar em teu ouvido
Um verso ousado, atrevido
A tatear os teus desejos
Sem o menor rastro de pejo.

Deixa-me desenhar no céu da tua boca
A minha marca, ardente, louca,
A sondar na tua saliva
A corrente que te ativa.

Deixa-me cravar em tua pele
O signo da paixão que me impele
A transformar-me, de mera passageira,
Em amante de uma vida inteira.

Shirley Carreira

domingo, 1 de novembro de 2009

Desejos



Deságua a minha poesia
Em todos os teus mares,
Ondulam os meus versos
Nos teus possíveis relevos,
E, à tua lembrança, desabo:
Um temporal de desejos.

Shirley Carreira

Mediatriz

Entre o meu discurso e o teu
O silêncio
Do orgulho.
Entre o meu corpo e o teu
A distância
Da mágoa.
Entre o meu desejo e o teu
A lacuna
Da palavra.
Entre o real e a fantasia
As dobras
Da poesia.
Entre o reencontro e a saudade
A inconsciência
Da falta.

Shirley Carreira

Noite

Branda é a brisa que a noite acolhe
Em seus braços- filho nascituro;
Suaves são os sonhos que nascem
E invadem as mentes delirantes
Dos seres apaixonados que dormem.
Loucos os desejos que eles trazem,
como corpos de amantes enlevados,
como dança frenética ensaiada
passo a passo, rompendo a madrugada.

Shirley Carreira

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Querendo-te



Quero-te no limite
Entre o sonho e a vida
Quero-te na confluência
De meus mares
Quero-te no ímpeto
Das loucas paixões
Na brevidade intensa
Da troca de olhares.

Quero-te, sem querer,
E assim querendo,
No peito, trago o conflito
Entre querer-te
E, sabendo-te distante,
Mais longe desejar-te,
Na vã tentativa
De esquecer-te.

Quero-te no encontro
De sentimentos abissais,
Quero-te no turbilhão
De desejos incontidos.
Quero-te na memória:
Uma presença fugidia,
Com a magia intensa
Dos amores não vividos.

Shirley Carreira

domingo, 12 de julho de 2009

Se...

Não fossem as sombras constantes em teus olhos;
Não fosse essa ironia sempre presente
No teu sorriso; a alegria crescente;
A indiferença impiedosa e permanente,
Quem sabe se eu ainda te amaria?

Não fosse o teu desejo transbordante;
Não fosse o teu querer pulsante
Que busca e afasta, intermitente,
Aquilo que deseja; incoerente,
Quem sabe se eu ainda quereria

De tal modo voraz e persistente
Essa tua boca sôfrega, exigente,
Esse teu corpo ansioso e indolente,
Esse teu eu, tão meu e tão ausente.
Quem sabe se eu ainda existiria?

Shirley Carreira