quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Inspiração

Cada verso que sangra, denso,
A minha alma translúcida
Tinge o tempo da escrita
Com as marcas da existência.

Cada palavra que surge, tensa,
Do meu pensamento volátil
Tange a corda da vida
Com harmonia impensada.

Cada poema que brota, súbito,
Das emoções em destempero
Torce com força e esmero
A minha mente absorta.

Tudo que traduzo em palavras,
Que em símbolos codifico,
Transborda a nebulosidade
Do que experimento e sinto.

Shirley Carreira

domingo, 11 de outubro de 2009

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sábado, 10 de outubro de 2009

Palavra exilada

Retornas imprevista
palavra exilada
de mim, do mundo, da alma das coisas.
Retornas carcomida
pelo medo dos homens,
triturada pelas dores
de antigos amantes.
Retornas névoa, sorrateira, dolorida,
com as marcas do tempo,
as pegadas da história.
És promessa, diálogo, registro.
És saudade, nostalgia, memória.


Shirley Carreira

Sofreguidão




Meus olhos te consomem

e a boca voraz

saboreia a espera.

Shirley Carreira

Divulgando a poesia alheia...

SE EU NÃO FOSSE...

Como não derramar
essa poesia
coagulada na retina
Se eu não fosse
essa escrita
não seria outra coisa
senão o silêncio
Um olhar alheio
pendurado num varal
Seria uma noite
tão noite, como
uma sombra densa
onde crestam os
pensamentos.

Marcos Oliveira

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Mutação

Sem recordações, sem tua imagem,
Sem as palavras a ecoar
No fundo das minhas lembranças
Eu me calo.
Sem os pequenos gestos,
Que te faziam grande
Ante os meus olhos de espanto
Eu me renego.
Sem o calor a assomar à pele,
Sem tua voz vibrando
Ousada em meus ouvidos
Eu me recolho.

A desconhecida que vejo
Na superfície do espelho
É lava petrificada,
Memória holográfica
Do vulcão cá dentro de mim.

Shirley Carreira

domingo, 4 de outubro de 2009

Poema para as vozes que se calam


Para Mercedes Sosa
04/10/2009

O tempo passa
E as vozes se calam;
Não mais sua música
Transborda aos ouvidos,
Mas fica a magia
Dos tempos idos;
Fica a saudade
Da limpidez cortante
Que retine na alma:
Sentimentos profundos.
Vão-se as vozes,
Mas fica a lembrança
A ecoar entre os mundos.

Shirley Carreira

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Poema do amor distante




Quero-te como quem busca um sonho
Feito de música e estrelas
E se inebria com a sinfonia
De sua passagem no céu, ao vê-las.
Quero-te como quem corta oceanos
Em frágeis barcos de papel
E arde ante a majestade
De tuas ondas, estradas de mel.
Quero-te como quem olha à frente
Um paraíso por descobrir
E se ufana ante a luz que emana
Da tua presença, eterno luzir.
Quero-te como quem ama à distância
Buscando alcançar-te a cada dia
E traduz o amor que lhe seduz
Nas asas lépidas da poesia.



Shirley Carreira

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Poema em espera




Um dia
Há de brotar das mãos
Fluida poesia
Embriagada de música
Da simetria
Exalada da alma
Que se inebria
Do ópio avassalador
Da densa loucura
Que se chama amor.

Shirley Carreira

sábado, 5 de setembro de 2009

A mulher que sou


Sou um mosaico de muitas mulheres
Das tantas que habitam em mim:
Sou meio adulta, meio criança,
Meio descrédito, meio esperança,
Meio inocente, meio sagaz,
Meio sensual, meio angelical.
De todas as metades que me compõem
Nenhuma prevalece afinal.

Shirley Carreira