quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Em segredo
Os passos calcaram a terra
Os sonhos ganharam as estradas
Os braços perderam-se no fosso
De incontáveis abraços
E as bocas lançaram laços
Às almas ressequidas.
Em segredo, teceu-se a teia
Incontrolável da vida.
Shirley Carreira
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O meu Rio...
Este post contém um desabafo e uma bela surpresa. Clique no link.
Ah, cidade que se descortina aos olhos, tão bela...Que saudade de tempos que se foram, quando andar pelas tuas ruas era uma aventura da alma apenas.
Ah, cidade que se descortina aos olhos, tão bela...Que saudade de tempos que se foram, quando andar pelas tuas ruas era uma aventura da alma apenas.
Marcadores:
Rio de Janeiro
domingo, 8 de novembro de 2009
Mulher
Mulher
Não sou a mulher dos teus sonhos
Mas deixa-me, ao menos,
Invadir tua mente, sorrateiramente,
e roubar um pensamento teu.
Não sou a mulher que quiseste
Mas deixa-me, em teu sono,
Habitar teus desejos ocultos.
Não quero ser a mulher ideal.
Quero ser aquela mulher fugidia,
Que prende o teu olhar
Quando tu o desvias.
Quero ser aquela
Que, sem que tu permitas,
Faz parte da tua fantasia.
@Shirley Carreira
Marcadores:
mulher
sábado, 7 de novembro de 2009
Deixa-me
Deixa-me sussurrar em teu ouvido
Um verso ousado, atrevido
A tatear os teus desejos
Sem o menor rastro de pejo.
Deixa-me desenhar no céu da tua boca
A minha marca, ardente, louca,
A sondar na tua saliva
A corrente que te ativa.
Deixa-me cravar em tua pele
O signo da paixão que me impele
A transformar-me, de mera passageira,
Em amante de uma vida inteira.
Shirley Carreira
A versificação do amor
A versificação do amor
é sempre um quiasmo,
onde tudo se troca,
onde nada pertence a um só.
A versificação do amor
É feita de rimas perfeitas,
De aliterações e consonâncias
E de metáforas oníricas.
É repleta de hipérboles,
Carente de omissões.
A versificação do amor
Não deve ter métrica certa.
A variável, a surpresa,
Faz, do poema, a fortuna.
A versificação do amor
Não precisa de receita,
Mas de um homem e uma mulher
E de um permanente sentimento
De distanciamento do mundo.
Shirley Carreira
Saudade e silêncio
Quando um amor
Se torna labirinto
E suas estradas levam
A lugar nenhum
A distância resgata
O que resta do sonho
E a chama perdura
Através da saudade.
Quando a imagem
Que se forma na mente
Distancia-se de todo
De seu referente
E só se encontram
Quando os olhos se fecham,
É o tempo da distância,
É o tempo do sonho.
A distância e a saudade
Fazem mais pelo amor
Que em si não se sustenta
Do que as idas e vindas
E a alegria fugidia,
Entremeada de dor,
De mágoa e de tormenta.
Na saudade tudo silencia.
Shirley Carreira
Se eu me calar

Não te espantes se eu calar meu verso,
com meu silêncio não te surpreendas;
comigo mesma vivo em contendas.
Na poesia, reúno e disperso
todos os fragmentos de mim.
Se me calo, eu me preservo.
Não te espantes se eu não deixar rastro,
não te assustes com minha ausência,
pois, da palavra, a permanência
é retrato preciso de um mundo vasto
não te assustes com minha ausência,
pois, da palavra, a permanência
é retrato preciso de um mundo vasto
que trago dentro de mim.
Se me calo, eu me oculto.
Se me calo, eu me oculto.
Não te surpreendas se eu me calar,
se partir sem dizer adeus,
se este poema parece acenar
com lágrimas dos olhos meus,
cascata caudalosa a escorrer da alma.
Se me calo, ela se acalma.
se este poema parece acenar
com lágrimas dos olhos meus,
cascata caudalosa a escorrer da alma.
Se me calo, ela se acalma.
Ficam os gestos apenas ensaiados,
ficam os poemas mal iniciados,
ficam os poemas mal iniciados,
sombras líricas de algo concreto.
Ainda que não possas lê-las,
Ainda que não possas lê-las,
minhas palavras permanecem.
Na noite do meu silêncio,
elas se tornam estrelas.
Na noite do meu silêncio,
elas se tornam estrelas.
* * * * * * * * * * * *
Shirley Carreira
domingo, 1 de novembro de 2009
Mediatriz
Entre o meu discurso e o teu
O silêncio
Do orgulho.
Entre o meu corpo e o teu
A distância
Da mágoa.
Entre o meu desejo e o teu
A lacuna
Da palavra.
Entre o real e a fantasia
As dobras
Da poesia.
Entre o reencontro e a saudade
A inconsciência
Da falta.
Shirley Carreira
O silêncio
Do orgulho.
Entre o meu corpo e o teu
A distância
Da mágoa.
Entre o meu desejo e o teu
A lacuna
Da palavra.
Entre o real e a fantasia
As dobras
Da poesia.
Entre o reencontro e a saudade
A inconsciência
Da falta.
Shirley Carreira
Noite
Branda é a brisa que a noite acolhe
Em seus braços- filho nascituro;
Suaves são os sonhos que nascem
E invadem as mentes delirantes
Dos seres apaixonados que dormem.
Loucos os desejos que eles trazem,
como corpos de amantes enlevados,
como dança frenética ensaiada
passo a passo, rompendo a madrugada.
Shirley Carreira
Em seus braços- filho nascituro;
Suaves são os sonhos que nascem
E invadem as mentes delirantes
Dos seres apaixonados que dormem.
Loucos os desejos que eles trazem,
como corpos de amantes enlevados,
como dança frenética ensaiada
passo a passo, rompendo a madrugada.
Shirley Carreira
Assinar:
Postagens (Atom)





