Um momento, não mais que um momento
É preciso para que do teu verso
Se faça um arco-íris de signos
Se crie uma multiplicidade de sons
Se pinte uma infinidade de imagens
Se transforme a vida em prazer.
Um momento, um único momento
Que desabrocha como flor
Que transcende o espaço e o tempo
Mostrando que o que há de mais belo,
De mais intenso, de mais constante
Reside em tudo o que se vive,
No que se apreende,
Em um único instante.
Shirley Carreira
quarta-feira, 24 de março de 2010
Sobre as palavras
Não te abales com o ruir
Das minhas palavras,
Que ora voam como pombas singelas,
Ora desabam como chuva torrencial.
E não respondas, nem te importes,
Se te soam gritos, sussurros ou silêncios.
Cabe ao poeta gritar, murmurar e calar-se;
E fazer tudo isso na ordem contrária.
Sem amores desconexos e irrealizados
O que seria da poesia?
Não te impressiones com a aparente loucura
De quem explode e se recolhe
Como vulcão ou seca intermitente.
Quem sabe o que há na mente
De quem luta com palavras?
Não te importes, apenas leia.
Palavras são como folhas de outono
Que o vento leva; em abandono,
Se vão e não mais retornam.
Shirley Carreira
Das minhas palavras,
Que ora voam como pombas singelas,
Ora desabam como chuva torrencial.
E não respondas, nem te importes,
Se te soam gritos, sussurros ou silêncios.
Cabe ao poeta gritar, murmurar e calar-se;
E fazer tudo isso na ordem contrária.
Sem amores desconexos e irrealizados
O que seria da poesia?
Não te impressiones com a aparente loucura
De quem explode e se recolhe
Como vulcão ou seca intermitente.
Quem sabe o que há na mente
De quem luta com palavras?
Não te importes, apenas leia.
Palavras são como folhas de outono
Que o vento leva; em abandono,
Se vão e não mais retornam.
Shirley Carreira
Poema do adeus

Teço a saudade
Que no peito não cabe
Como lágrima que deságua
Em temporal.
Guardo a imagem
Que da mente não parte
Como brisa que vira
Um vendaval.
Renuncio ao sonho
Que é apenas miragem
Como barco que afunda
Em região abissal.
Percorro os caminhos
De dor, estilhaçada,
Como imagem composta
Em fractal.
Digo um adeus mudo,
Absorta, contida,
Como espectro que paira
Sob a luz boreal;
Como sombra perene,
Como frágil alternativa
No brilho híbrido
do teu mundo ideal.
Shirley Carreira
Que no peito não cabe
Como lágrima que deságua
Em temporal.
Guardo a imagem
Que da mente não parte
Como brisa que vira
Um vendaval.
Renuncio ao sonho
Que é apenas miragem
Como barco que afunda
Em região abissal.
Percorro os caminhos
De dor, estilhaçada,
Como imagem composta
Em fractal.
Digo um adeus mudo,
Absorta, contida,
Como espectro que paira
Sob a luz boreal;
Como sombra perene,
Como frágil alternativa
No brilho híbrido
do teu mundo ideal.
Shirley Carreira
Conversa de poetas em céu estrelado
Para Gustavo Schram
Falo-te em sonhos, murmuro versos
E me faço lembrança ao amanhecer.
Em pleno dia, sou sonho disperso
A desfazer-me em nada, a emudecer.
Minha voz se cala, perco a magia,
No decorrer do dia a agir
Mas volto a ser brisa e fantasia
Assim que a noite começa a cair.
Por isso, se vires no céu a brilhar
Uma estrela um tanto conhecida,
Com um brilho intenso a espraiar,
Derramando sonhos, dores incontidas
Segue-lhe o rastro, seu lamento escuta
Quando, em prata, segue para a luta
Devolvendo em lágrimas de chuva vertidas
Todos os rastros das batalhas perdidas.
E contar-te-ei em sonhos a sua saga
De lutas e derrotas, as poucas vitórias,
O contar será manso, como voz que afaga
Teu sono quieto com as muitas histórias.
E se teus versos os meus encontrarem
No firmamento, onde nunca irão fenecer,
Os belos diálogos que assim travarem
Serão os poemas que havemos de escrever.
Shirley Carreira
Falo-te em sonhos, murmuro versos
E me faço lembrança ao amanhecer.
Em pleno dia, sou sonho disperso
A desfazer-me em nada, a emudecer.
Minha voz se cala, perco a magia,
No decorrer do dia a agir
Mas volto a ser brisa e fantasia
Assim que a noite começa a cair.
Por isso, se vires no céu a brilhar
Uma estrela um tanto conhecida,
Com um brilho intenso a espraiar,
Derramando sonhos, dores incontidas
Segue-lhe o rastro, seu lamento escuta
Quando, em prata, segue para a luta
Devolvendo em lágrimas de chuva vertidas
Todos os rastros das batalhas perdidas.
E contar-te-ei em sonhos a sua saga
De lutas e derrotas, as poucas vitórias,
O contar será manso, como voz que afaga
Teu sono quieto com as muitas histórias.
E se teus versos os meus encontrarem
No firmamento, onde nunca irão fenecer,
Os belos diálogos que assim travarem
Serão os poemas que havemos de escrever.
Shirley Carreira
Marcadores:
poesia
Partida

Partes, e na alma fica aberto
O espaço que te pertence;
E no rosto lágrimas que verto,
E no corpo o vazio de ti.
Partes, e na boca o gosto amargo
De perda infinita me arde,
E na noite um mundo sem sonhos,
Na vida um caminhar tristonho
Sem rumo, sem história,
Porque partes e de ti
Fica só a memória.
Shirley Carreira
terça-feira, 23 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Perdas e danos

Metade da minha vida
Gastei pensando
Na metade que queria
Ter gasto amando
E em cada pensamento
Proibido, profano,
Despendi um tempo insano.
Metade da minha vida
Gastei buscando
Uma porção de irrealidade,
Tolamente desprezando
A porção de verdade,
Gastei pensando
Na metade que queria
Ter gasto amando
E em cada pensamento
Proibido, profano,
Despendi um tempo insano.
Metade da minha vida
Gastei buscando
Uma porção de irrealidade,
Tolamente desprezando
A porção de verdade,
Perdendo, desta maneira,
Metade de uma vida inteira.
Nesta altura da vida,
Metade gasta, mal vivida
‘inda paira o medo atroz
Do desperdício contumaz ;
E, em cada minuto vivido,
Guardo a necessidade
De não perder nada mais.
Shirley Carreira
Metade de uma vida inteira.
Nesta altura da vida,
Metade gasta, mal vivida
‘inda paira o medo atroz
Do desperdício contumaz ;
E, em cada minuto vivido,
Guardo a necessidade
De não perder nada mais.
Shirley Carreira
sexta-feira, 12 de março de 2010
Para que saibas que te amo

Para que saibas que te amo,
Não moverei montanhas,
Nem rasgarei as vestes,
Nem chorarei mil rios.
Para que saibas que te amo,
Guardarei apenas a saudade
Que só os grandes amores
Suportam e superam.
Para que saibas que te amo,
Deixarei que meu olhar te siga,
Que meu corpo te busque,
Que meus sonhos te tragam,
Nos tons, texturas e aromas
Que esse teu corpo encerra,
Para o meu mundo de densa
Quietude e espera.
Para que saibas que te amo,
Deixarei transparecer no olhar
Todas as paixões que me movem ,
Os desejos que nunca escondi.
Para que saibas que te amo,
Não hei de fazer promessas;
Dar-te-ei apenas a certeza
De estar sempre aqui.
Não moverei montanhas,
Nem rasgarei as vestes,
Nem chorarei mil rios.
Para que saibas que te amo,
Guardarei apenas a saudade
Que só os grandes amores
Suportam e superam.
Para que saibas que te amo,
Deixarei que meu olhar te siga,
Que meu corpo te busque,
Que meus sonhos te tragam,
Nos tons, texturas e aromas
Que esse teu corpo encerra,
Para o meu mundo de densa
Quietude e espera.
Para que saibas que te amo,
Deixarei transparecer no olhar
Todas as paixões que me movem ,
Os desejos que nunca escondi.
Para que saibas que te amo,
Não hei de fazer promessas;
Dar-te-ei apenas a certeza
De estar sempre aqui.
Shirley Carreira
sábado, 6 de março de 2010
A mulher ideal

Tenho saudade
Da mulher que eu queria ser
Mulher de curvas perfeitas,
De mente desafiadora
E saberes aprofundados,
Com o mundo conhecido à frente
E um semideus ao lado.
Essa mulher ideal
Ficou lá no meu passado
Quando a estrada ‘inda era longa
E os dias infinitos,
A sua perfeição a gritar
Sempre nos meus ouvidos
O que eu deveria ter sido.
A mulher que vejo no espelho
Luta contra seus medos
E, bravamente, sobrevive
Às lutas do dia-a-dia,
Aos bloqueios na estrada
Da vida, que de glamour, de poesia
Tem muito pouco ou nada.
Gosto da imagem que vejo
Admito sem receio ou pejo.
Com sobras e faltas, eu lido,
A cada dia vivido,
Mas fica, no fundo, a saudade,
Que o tempo aplaca e diminui,
Da mulher que eu nunca fui.
Shirley Carreira
Da mulher que eu queria ser
Mulher de curvas perfeitas,
De mente desafiadora
E saberes aprofundados,
Com o mundo conhecido à frente
E um semideus ao lado.
Essa mulher ideal
Ficou lá no meu passado
Quando a estrada ‘inda era longa
E os dias infinitos,
A sua perfeição a gritar
Sempre nos meus ouvidos
O que eu deveria ter sido.
A mulher que vejo no espelho
Luta contra seus medos
E, bravamente, sobrevive
Às lutas do dia-a-dia,
Aos bloqueios na estrada
Da vida, que de glamour, de poesia
Tem muito pouco ou nada.
Gosto da imagem que vejo
Admito sem receio ou pejo.
Com sobras e faltas, eu lido,
A cada dia vivido,
Mas fica, no fundo, a saudade,
Que o tempo aplaca e diminui,
Da mulher que eu nunca fui.
Shirley Carreira
Marcadores:
mulher ideal
quinta-feira, 4 de março de 2010
Construções
Assinar:
Postagens (Atom)

